quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O conto do vaqueiro



São versos em folha pautada
Rabiscados por tinta de céu
Distorcidos por mãos rígidas
Enriquecidos por sentimentos.
São os versos da vergonha
A escrita do acanhamento
São as chaves, da sela que pulsa
Liberdade do escravo amor
São relatos da fragilidade
Pedaços da vil coragem
São rasuras da escuridão
São os gritos de solidão
São os risos os choros
Os gestos reprimidos
É o pedido, é o pedido.

“amada que fico a sonhar.
Pequena que temo perder
Perdoe-me não saber lhe contar
Que desejo seus beijos deter
Minha bela lhe peço perdão
Por não ser poeta de amor
Entrego-lhe ferido coração
Para que cure feridas e dor
Só lhe peço minha bela querida
Que perdões o rude que sou
Tome posse do que chamo de vida
Pois sem ti nem mais vivo estou”

Quem diria caboclo sem medo
Estaria de medo a chorar
A coragem do velho vaqueiro
Já não estava mais em suas mãos.
Restava-lhe a grande incerteza
Do que a moça iria dizer
Restava-lhe a reza e o apelo
Ao padrinho Cicero do céu
E por fim se da o conto
Do vaqueiro que um dia amou
Que temeu a renuncia da vida
Mais que em vida a bela ganhou

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